Anunciada a terceira edição do Concurso Hydra de Literatura Fantástica Brasileira

banner-0105 de outubro de 2015

A revista norte-americana Orson Scott Card’s Intergalactic Medicine Show (IGMS) e os websites brasileiros A Bandeira do Elefante e da Arara e Universo Insônia se uniram mais uma vez para levar o melhor da ficção especulativa brasileira para os leitores de língua inglesa do mundo inteiro, através da terceira edição do Concurso Hydra de Literatura Fantástica Brasileira.

Um painel de juízes brasileiros selecionará três finalistas entre os contos de literatura fantástica publicados no Brasil em 2013 e 2014. Orson Scott Card, um dos autores mais vendidos do mundo da ficção especulativa e Edmund R. Schubert, editor da IGMS, vão escolher o vencedor entre os finalistas. Os três finalistas terão seus contos traduzidos para o inglês e o vencedor receberá publicação remunerada na revista Intergalactic Medicine Show. O regulamento do concurso está disponível no endereço: http://universoinsonia.com.br/hydra3.

Edmund R. Schubert, editor da IGMS diz: “Eu realmente olho para a frente cada vez que este concurso é realizado e sou grato a Christopher e Tiago por todo o trabalho duro que fazem para torná-lo possível. Orson e eu ficamos com a parte fácil, a divertida leitura dos contos finalistas. Com o crescente número de autores internacionais que vêm ganhando atenção nos últimos anos, é uma honra ser capaz de brilhar uma luz sobre o belo trabalho que sai do Brasil”.

A vencedora da segunda edição, Camila Fernandes, teve seu conto “A outra margem do rio”, publicado em inglês na revista IGMS, recebendo remuneração pela publicação e destaque na imprensa internacional. Ela relata: “Ganhar o Hydra em 2014 foi uma alegria inesperada e, claro, uma honra. Graças ao concurso e ao belo trabalho de tradução do Christopher, os autores brasileiros de literatura fantástica têm mais um canal aberto para os leitores do mundo anglófono, que vai muito além dos falantes nativos do inglês. Espero que essa premiação seja entregue a vários colegas por muitos e muitos anos”.

Tiago Castro, publicitário, agitador cultural e editor do site Universo Insônia, atuará outra vez como organizador do concurso. Ele escreve: “As duas primeiras edições do concurso mostraram que o Brasil tem um grande potencial para publicação no exterior. A qualidade dos contos é elevada e está cada vez mais difícil selecionar apenas três finalistas. Fico feliz por fazer parte desse novo capítulo da literatura especulativa brasileira, ajudando os autores a atravessarem a fronteira literária do nosso país”.

Os três contos finalistas serão traduzidos para o inglês por Christopher Kastensmidt, autor da série A Bandeira do Elefante e da Arara; finalista dos prêmios Nebula, AGES e Argus; professor universitário e fundador do Concurso Hydra. Christopher é norte-americano, radicado em Porto Alegre desde 2001.

O nome do Concurso Hydra vem da constelação. Esta constelação com nome de um monstro mítico atravessa a equador celestial, unindo os hemisférios celestiais norte e sul, da mesma maneira que o Concurso Hydra espera juntar os hemisférios norte e sul de ficção especulativa. A constelação Hydra também aparece na bandeira brasileira.

As inscrições estarão abertas de 05 de outubro a 11 de novembro, e todos os autores brasileiros com contos que se encaixam no gênero de literatura fantástica e que foram publicados pela primeira vez nos anos de 2013 e 2014 podem participar. Não existe taxa de inscrição e o vencedor receberá tradução do conto para inglês e contrato de publicação na IGMS, com pagamento padrão da revista.

Sobre Orson Scott Card’s Intergalactic Medicine Show

Fundada em 2005 pelo multipremiado escritor Orson Scott Card, e editada desde 2006 por Edmund R. Schubert, IGMS é uma revista online bimensal premiada que publica contos ilustrados de ficção científica e fantasia, histórias, entrevistas, resenhas e muito mais. Autores vão de profissionais conhecidos como Peter Beagle e David Farland até autores fazendo sua estreia profissional. O site da revista é www.intergalacticmedicineshow.com.

Sobre The Elephant and Macaw Banner

A Bandeira do Elefante e da Arara (The Elephant and Macaw Banner) é uma série internacionalmente premiada de fantasia situada no Brasil do século XVI. As histórias contam as aventuras de Gerard van Oost e Oludara, uma dupla improvável de heróis que se encontram em Salvador. Notícias, arte e informações sobre as referências culturais e históricas podem ser encontrados no site www.ABandeira.org.

Sobre o Universo Insônia

O site Universo Insônia publica artigos, notícias e conteúdo sobre a Cultura Fantástica de forma geral, com destaque especial para a literatura fantástica. O principal objetivo do site é divulgar e apoiar os profissionais da área da cultura fantástica brasileira, mas também trazer conteúdo sobre as diversas produções internacionais. www.universoinsonia.com.br

 

Dúvidas, esclarecimentos e contato com a organização:
Tiago Castro – concurso.hydra@gmail.com

Atividades de formação com Christopher Kastensmidt

Christopher estará essa semana em São Paulo, realizando atividades de formação, para professores e alunos, trazendo diversos assuntos envolvendo o uso do folclore nacional na literatura, o processo de produção de sua obra, cultura geek em sala de aula, entre outros.

A secretaria Municipal de São Paulo publicou uma notícia sobre a participação de Christopher durante tais formações.

Prefeitura blabla

#ABandeira

Entrevista com Roberto Causo

Hoje temos mais uma entrevista, e a formidável pessoa a nos fornecer um pouco de seu tempo é Roberto Causo. Com um grande histórico em sua carreira como escritor e editor, Roberto é responsável por grandes obras, como “A Saga de Tajarê”, teve seus contos publicados em mais de onze países, e chegou a ser reconhecido pela Zero Hora como “um dos brasileiros de maior reconhecimento na literatura fantástica”.

bio

Se você não conhece suas obras, você pode dar uma olhada em sua bibliografia clicando aqui.

1 – Você tem um grande histórico como escritor e editor. Como você começou essa jornada?

Assim como muita gente na área de ficção científica e fantasia, comecei como fã desses gêneros, ainda criança com quadrinhos, depois com a série alemã Perry Rhodan, com os clássicos da FC. Comecei a escrever em 1985, depois de uma tentativa frustrada poucos anos antes. Como ficcionista, publiquei profissionalmente pela primeira vez em 1989, e nunca mais parei. O trabalho de editor eu imagino que tenha sido um desdobramento da minha atividade como fanzineiro e a partir dos contatos que fiz dentro da comunidade brasileira de FC. Em 1993, organizei a antologia Tríplice Universo para as Edições GRD, fui editor free-lancer junto à Editora Aleph um ou dois anos depois, e na primeira década do século XXI, junto à Devir Brasil.

2 – Nas duas áreas, narrativa e edição, quais são as obras que você considera as mais marcantes da sua carreira?

Gosto muito do meu romance de dark fantasy Anjo de Dor, e do romance de space opera militar Glória Sombria. Minhas novelas de FC ambientadas na Amazônia, Terra Verde, O Par e Selva Brasil também são favoritas. Foi ótimo para mim publicar as antologias dos melhores contos e novelas brasileiras de FC (três volumes), pela Devir, e também editar alguns autores favoritos, como Jorge Luiz Calife, Orson Scott Card e Bruce Sterling. Mas costumo dizer que Christopher Kastensmidt, com a série A Bandeira do Elefante e da Arara, é um dos maiores sucessos com os quais estive editorialmente envolvido — ela pôs Christopher no mapa da literatura brasileira, e está mudando o modo como o brasileiro encara a matéria mitológica do seu país, na fantasia.

3 – Na série “A Saga de Tajarê”, você faz uma união interessante entre “Espada & Feitiçaria” e o folclore indígena. Nos fale sobre esta série e o subgênero “Borduna & Feitiçaria”.

Bortuna & feitiçaria é exatamente isso — fantasia heroica que usa o espaço geográfico e cultural brasileiro. Mas não apenas o folclore indígena, pois A Saga de Tajarê inclui mitologia nórdica e outras fontes, inclusive pseudo-história e ocultismo brasileiros envolvendo comunidades vikings ou atlantes entre nós. Nisso, segue a trilha de alguns pioneiros do nosso passado, como Gastão Cruls, Menotti Del Picchia e Jerônymo Monteiro, revisitando com essa marca brasileira algumas raízes da espada & feitiçaria como weird fiction, uma tendência da década de 1930 que também se metia pelos meandros do ocultismo e de hipóteses estranhas quanto ao passado do planeta. A Saga de Tajarê até o momento tem seis histórias — duas delas publicadas ao lado de histórias da Bandeira do Elefante e da Arara, pela Devir Brasil na coleção Asas do Vento. As primeiras quatro estão no livro A Sombra dos Homens (2004).

Tajarê

4 – Você tem uma vivência forte com a série “A Bandeira do Elefante e da Arara”, como editor e tradutor da série desde 2010. Como foi a sua experiência até hoje e quais são as suas expectativas para o futuro da série?

Trabalhar com essa série tem sido uma bênção. Com a Devir Brasil, editei três livros da série Duplo Fantasia Heroica com as primeiras aventuras da série, e fiz a tradução do romance A Bandeira do Elefante e da Arara. É uma série que ativa como nenhuma outra a nossa imaginação do Brasil, o que representa uma das maiores intervenções sobre como enxergamos a fantasia heroica aqui e no exterior, dos últimos tempos. O romance que reúne a primeira fase da série é extremamente empolgante e divertido, mas com um sólido arco narrativo e personagens que se transformam de maneira surpreendente e muito humana, ao longo das peripécias dos heróis Gerard van Oost & Oludara. Eu aguardo ansiosamente o início das aventuras de Gerard & Oludara na África — antes que os heróis retornem ao Brasil para mostrar como será construído o Império Brasileiro, algo que Christopher lança como semente, no romance.

5 – Para completar, conte-nos um pouco sobre a sua vida fora dos livros.

Não sei se tenho muito de uma vida fora dos livros! Sou doutor em Letras pela Universidade de São Paulo e presto serviços editoriais, dou palestras e cursos, sempre relativos à fantasia e ficção científica. Sou casado com a escritora de FC Finisia Fideli, e pai do jornalista Roberto Fideli, que mantém com Gabriela Colicigno o site Who’s Geek de cultura nerd.

 

Muito obrigado, Roberto! Pela sua disponibilidade, e por trabalhar ao nosso lado com A Bandeira do Elefante e da Arara.

– Entrevista por Fernando M. A.